Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

CONTRA-AVISO






Réplica ao poema AVISO da autoria
de uma dama que desejou fazer a
apologia da "mulher contemporânea".


É certo que as mulheres
alienaram a tradição
todavia nos mesteres
não lograram condição.

A mulher de antigamente
era sempre uma senhora
serve agora a toda a gente
e depois deita-se fora.

As de outrora delicadas
nunca davam garatuja
hoje em dia são versadas
em sessões de roupa suja.

À porta da maça o rolo
dava forte desempenho
dizem agora ter miolo
porém, vou ali e já venho.

Mulher de corpo bem feito
era sempre coisa rica
agora tomam-lhe o jeito
conforme o jeito que fica.

O espírito era-lhes forte
mesmo nas tristes mesinhas
hoje co' alma sem porte
não passam de mariquinhas.

Ai mulheres, e ai maridos,
portem-se com arreganho
quaisquer que sejam os sentidos
no amor é qu' stá o ganho !


Frassino Machado
In AS MINHAS ANDANÇAS

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

«CANTAR DE MIO CID»

( Autor Anónimo )

CANTAR I

1.

De los sos ojos tan fuerte mientre lorando
tornava la cabeça y estava los catando.
Vio puertas abiertas e uços sin cañados,
alcandaras vazias sin pielles e sin mantos
e sin falcones e sin adtores mudados.

Sospiro mio Çid ca mucho avie grandes cuidados.
Ffablo mio Çid bien e tan mesurado:
"¡Grado a ti, señor, padre que estas en alto!
¡Esto me an buelto mios enemigos malos!"
Alli pienssan de aguijar, alli sueltan las riendas.

2.

A la exida de Bivar ovieron la corneja diestra
y entrando a Burgos ovieron la siniestra.
Meçio mio Çid los ombros y engrameo la tiesta:
"¡Albriçia, Albar Ffañez, ca echados somos de tierra!"

3.

Mio Çid Ruy Diaz por Burgos entrava,
en su compaña lx. pendones levava.
Exien lo ver mugieres e varones,
burgeses e burgesas por las finiestras son,
plorando de los ojos tanto avien el dolor.
De las sus bocas todos dizian una razon:
"¡Dios, que buen vassalo! ¡Si oviesse buen señor!"

4.

Conbidar le ien de grado mas ninguno non osava;
el rey don Alfonsso tanto avie la grand saña,
antes de la noche en Burgos del entro su carta
con grand recabdo e fuerte mientre sellada,
que a mio Çid Ruy Diaz que nadi nol diesse¡n¿ posada,
e aquel que gela diesse sopiesse ?vera palabra?
que perderie los averes e mas los ojos de la cara
e aun demas los cuerpos e las almas.

Grande duelo avien las yentes christianas;
asconden se de mio Çid ca nol osan dezir nada.
El Campeador adeliño a su posada;
asi commo lego a la puerta falola bien çerrada
por miedo del rey Alfonsso que assi lo avien parado
que si non la quebrantas por fuerça que non gela abriese nadi.
Los de mio Çid a altas vozes laman,
los de dentro non les querien tornar palabra.

***

A MAGIA DO PARNASO











O
céu
o Éden,
no sentir
do coração,
mente revelada
corpo transformado,
minha glória e redenção
meu sonho sempre renascido,
p’la montanha mágica escalado,
o meu corpo fez-se humus revoltado!
O
meu
pulsar
sonhador,
com alma pura,
minha desventura
em tristes ais pungentes,
meus versos e meus poemas
tangendo minha cítara ao luar,
meu canto agigantou-se pela dor,
na seara transformada em paz e amor!



Frassino Machado
In
“Odisseia da Alma”

O LIVRO DA NOSSA VIDA

De toda a vida humana há um livro misterioso
qu’a cada um de nós alguém recomendou
dizendo: escreve agora. O tempo que passou
tu o viveste e alguém por ti o fez honroso...

O grito que lançámos na hora foi ‘spantoso,
a liberdade é algo qu’o prazer lançou
de escrever cada dia o qu’a alma sonhou
em páginas dispersas de um viver ditoso.

Há romances, poemas, crónicas e dramas,
há contos, ‘stórias, lendas, fábulas e viagens,
que cada um de nós escreve com paixão...

E quando já ‘stá perto do seu fim, em chamas
gloriosas se levantam suas personagens
coroando o autor com todo o seu clarão !



Frassino Machado
In AS MINHAS ANDANÇAS

Terça-feira, Outubro 31, 2006

O EXPRESSO DA SAUDADE









O tempo que me coube s’ esgotou
na expressão ternurenta do teu rosto,
fogoso coração de fulvo gosto,
sorriso aberto que m’ enfeitiçou.

Nas palavras e gesto qu’ explicou
teu corpo esbelto à minha frent’ exposto,
e o não do alimento a contra-gosto,
tudo isto a minha ânsia suplantou...

Ai, Rita minha, se sentisses só
algo daquela angústia que senti
por partires sem teres de mim dó...

Dirias ao combóio, sem piedade,
que demorasse um pouco mais ali
sem se mudar no Expresso da saudade!



Frassino Machado
In OS FILHOS DA ESPERANÇA

EXCELSA DIVA

Abarca o excelso lume e o calor
Mesmo sabendo o lado pior da vida,
É com prazer que vive renascida
Rumo à confiança que lhe traz o amor.

Imaculado sonho em grão primor
Com a veia de poeta engrandecida
A alma de beleza enriquecida
Mais lhe dá a finura e o vigor.

Imensa a verde seara germinada
Razão de amor que o sonho iluminou
Alargado p´la fresca madrugada.

Na aurora da Cultura se lançou
Diva desta poesia estruturada
América, teu nome já brilhou !



Frassino Machado
In AS MINHAS ANDANÇAS

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

PEDRO ABELARDO Y ELOISA


PEDRO ABELARDO Y ELOISA


Pedro Abelardo nasceu perto de Nantes em 1079, dedicou-se ao estudo da Dialéctica, Teologia e da Filosofia.
Foi discípulo de Roscelino, com o qual estudou Lógica e posteriormente foi discípulo de Guilherme de Champeaux com o qual estudou Teologia e se interessou pela discussão dos Universais.
Abelardo sempre se opôs às ideias dos seus mestres e como tal sempre gerou conflito e invejas.
Passa a sua juventude a viajar de escola em escola. Ao terminar os seus estudos, vai leccionar Filosofia em Melun, depois em Corbeil e posteriormente em Paris, instalando-se por fim em Sainte-Geneviève para ministrar aulas de Filosofia e Teologia.
As suas aulas são muito apreciadas e assistidas por inúmeros discípulos, ao ponto de serem preferidas à dos seus mestres.
Numa das escolas, encontra Heloísa, uma jovem de grandes atributos intelectuais e de grande beleza. Abelardo apaixona-se perdidamente. O tio de Heloísa, Fulberto, nunca viu este amor com bons olhos, ao ponto de castrar Abelardo para limpar o eu nome.
Abelardo e Heloísa têm um filho, ao qual puseram o nome de Astrolábio
Após a separação de Abelardo e Heloísa, ela entra na vida monástica no mosteiro de Argenteuil e Abelardo torna-se monge e continua os seus ensinamentos.
Pelo seu dom, Abelardo por todas as escolas por onde passava, encontrava sempre grande número de alunos.
Abelardo escreve um livro sobre a Unidade e a Trindade Divina, que suscita muitas polémicas na Igreja ao ponto de ser obrigado a queimá-lo em público.
Abelardo volta a ensinar em Paris, expondo em público a suas ideias sobre fé católica, e por serem consideradas uma afronta à Igreja é condenado e expulso.
Nos restantes anos da sua vida, para além de ensinar, Abelardo escreve algumas obras, das quais se destacam as seguintes: A Dialéctica ; Ética ou Conhece-te a Ti Mesmo ; As Glosas ; A Teologia Cristã ; Sic et Non (Sim e Não) ; História das Minhas Tristezas ; Diálogo entre um Filósofo, um Judeu e um Cristão (obra por acabar).
Existem algumas cartas entre Abelardo e Heloísa, da correspondência que trocaram ao longo dos anos e que imortalizou a história trágica de amor entre estes dois amantes.

*

HELOÍSA E ABELARDO

O ENCONTRO


Chamo-me Heloísa de Notre Dame
e saí para passear
com a minha criada Sibyle,
numa tarde de sereno entardecer.

O sol prende-se sobre o Sena
em suave desmaio
enquanto o último suspiro do dia
me arranca velozmente o chapéu.

Quiseram os deuses
que este se arrastasse
até um grupo de estudantes
reunidos em torno de alguém,
aos pés de quem o alado
e voluntarioso chapéu se foi postar.

Ao ouvir o seu nome,
mestre Abelardo, diziam,
senti que o meu coração
disparava intensamente.

Aproximei-me para recolher o chapéu,
e ele cumprimentando-me,
ofereceu-mo com um sorriso.

Dos estudantes logo partiram risos
cúmplices e jocosos
que esmoreceram suspensos
perante o modo como nos olhámos
em descoberta mútua.

Perturbada, coloquei o chapéu,
fiz uma reverência ao mestre
e retirei-me voando
agora eu ao vento dos sentidos,
na agonia de um estimulante entardecer...

*

TRISTEZA E SEPARAÇÃO


Expulso Abelardo de meus tálamos,
fez-se dor na minha noite.
Preparei poções, experimentei ervas,
e eis-me que tresloucada adormeço
meu tio para me render no porão
a encontros com o meu amado.

Aí reinventámos o amor
em noites de frio silêncio
e muda entrega.

Porém, a inveja do mundo
também nesse ninho nos alcançou
e em breve meu tio nos descobre,
me espanca e aferrolha em casa
sob estreita vigilância.

Passámos a encontrar-nos
furtivamente em sacristias,
confessionários e catedrais,
locais que me eram permitidos sem vigilância,
impensável que era o sacrilégio
para mentes que desconhecessem
a força do nosso amor...

*

AMANTES PARA SEMPRE


Abraçámo-nos em silêncio
perante o olhar protector
e triste do pai que nos abarca
como as obras mais plenas
da sua vida de filósofo,
pois desgostoso vira
algumas obras suas serem condenadas
à fogueira da ignorância...

Mas também então nada foi dito.
Nem o sopro de uma palavra.
Quando morreu, ergui-lhe um enorme sepulcro,
na Abadia de Cluny,
e nele pedi me juntassem ao meu amado,
ao soar da minha hora.

Pouco tempo depois,
quando nele vazavam os meus despojos,
dizem que para receber meu corpo,
o seu se encontrava ainda intacto,
e viram-lhe os braços abertos
como se me estivesse aguardando
para me abraçar na eternidade...

E assim, nela nos fizemos também
eternos amantes
e pensadores sem tempo.
***

Terça-feira, Julho 11, 2006

HÁ SEMPRE UM AMANHÃ

Tu, amiga, que passaste
pelo fiel do desamor
aproveita o que sonhaste
talvez tenhas mais calor.

É assim o mundo que temos:
no princípio tudo bem,
depois quando nada temos
não contamos com ninguém.

Desde os tempos mais antigos
fez Deus este mundo assim
nele somos filhos pródigos
Ele nos quer a ti e a mim.

O amor humano é ilusão
como a vela enquanto dura
mas se houver um apagão
toda a alma fica escura.

Não vale a pena chorar
nem morrer de comoção
vale a pena, sim, gritar
vai-te embora coração !


Frassino Machado
In OS FILHOS DA ESPERANÇA

Segunda-feira, Julho 10, 2006

O SONHO MAIOR

Um dia sonhei
criança bonita
astuta e catita
que eu já nem sei.

Seria na escrita
que me preparei
mas quando acordei
ó minha desdita.

E fiquei tristonho
aspiração recta
era apenas sonho…

Mas coisa secreta
um final risonho
eu até sou poeta !


Frassino Machado
In RUDIMENTOS

QUANDO ME VENS VER, AMIGA ?

Quando me vens ver, amiga?
Já são tantas as promessas
que já nem sei se te diga
qu’ o mundo anda às avessas!

Tu sabes bem que te quero,
tudo me diz que prossiga,
mas mais uma vez o espero:
quando me vens ver, amiga?

Eu sei que gostas de mim,
não tens ideias travessas,
mas, sem toque de clarim,
já são tantas as promessas.

Tenho tido bons momentos
e outros que são uma ‘spiga
todos eles bons eventos
que já nem sei se te diga.

Quero p’ ra ti mil folias
entr’ outras banais remessas,
não ‘speres mais mordomias
qu’ o mundo anda às avessas!


Frassino Machado
In RUDIMENTOS

TIVE PENA, MINHA HELENA

Porque os olhos meus te não viram
que estiveste cá nessa altura
os teus, minha Helena, partiram
e co' eles tua formosura !

Tive pena, sim, tive pena
pois que novas tuas fruíram,
mais pobre fiquei, minha Helena,
porque os olhos meus te não viram.

Este mundo é tão enfadonho
nossa vida nele é bem dura
tu por aqui foi mais que sonho
que estiveste cá nessa altura.

Outros olhos por cá vagueiam
qu' a memória de ti sentiram
por eles favores escasseiam
os teus, minha Helena, partiram.

Se voltares cá, minha amiga,
quererei ver-te com ternura,
por teus olhos eu te bendiga
e co' eles tua formosura !



Frassino Machado
In OS FILHOS DA ESPERANÇA

Domingo, Julho 09, 2006

OS LAUREADOS DO OLIMPO - DANTE ALIGHIERI


Dante Alighieri nasceu em Florença em 1265 de uma família da baixa nobreza. Sua mãe morreu quando era ainda criança e seu pai, quando tinha dezoito anos. Pouco se sabe sobre a vida de Dante e a maior parte das informações sobre sua educação, sua família e suas opiniões são geralmente meras suposições. As especulações sobre a sua vida deram origem a vários mitos que foram propagados por seus primeiros biógrafos, dificultando o trabalho de separar o facto da ficção. Pode-se encontrar muita informação em suas obras, como na Vida Nova (La Vita Nuova) e na Divina Comédia (Commedia).
Na Vida Nova Dante fala de seu amor platónico por Beatriz (provavelmente Beatrice Portinari), que encontrara pela primeira vez quando ambos tinham nove anos e que só voltaria a vê-la niove anos mais tarde, em 1283. Nos tempos de Dante, o casamento era motivado principalmente por alianças políticas entre famílias. Desde os doze anos, Dante já sabia que se deveria casar com uma moça da família Donati. A própria Beatriz, casou-se em 1287 com o banqueiro Simone dei Bardi e isto, aparentemente, não mudou a forma como Dante encarava o seu amor por ela. Provavelmente em 1285, Dante casou-se com Gemma Donati com quem teve pelo menos três filhos. Uma filha de Dante tornou-se freira e assumiu o nome de Beatrice.
Em 1290, Beatriz morreu repentinamente deixando Dante inconsolável. Esse acontecimento teria provocado uma mudança radical na sua vida levando-o a iniciar estudos intensivos das obras filosóficas de Aristóteles e a dedicar-se à arte poética. Dante foi fortemente influenciado pelos trabalhos de retórica e filosofia de Brunetto Latini - um famoso poeta que escrevia em italiano (e não em latim, como era comum entre os nobres), tendo-se também beneficiado e influenciado pela amizade com o poeta Guido Cavalcanti - ambos referidos na sua obra. Pouco se sabe sobre a sua educação. Segundo alguns biógrafos, é possível que tenha estudado na universidade de Bologna, onde provavelmente esteve em 1285.
Na obra La Vita Nuova, seu primeiro trabalho literário de importância, iniciado pouco depois da morte de Beatriz, Dante narra a história do seu amor por Beatriz na forma de sonetos e canções complementadas por comentários em prosa. Durante o seu exílio político, por conflitos polémicos entre Florença e os Estados Pontifícios, Dante escreveu duas obras importantes em latim: De Vulgari Eloquentia, onde defende a língua italiana, e Convivio, incompleto, onde pretendia resumir todo o conhecimento da época em 15 livros. Apenas os quatro primeiros foram concluídos. Escreveu também um tratado: De Monarchia, onde defendia a total separação entre a Igreja e o Estado. A Commedia – mais conhecida por Divina Commedia – levou a escrever 14 anos e durou até à sua morte, em 1321, ocorrida pouco depois da conclusão do Paraíso. Cinco anos antes de sua morte, foi convidado pelo governo de Florença a retornar à cidade. Mas os termos impostos eram humilhantes, semelhantes àqueles reservados à criminosos perdoados e Dante rejeitou o convite, respondendo que só retornaria se recebesse a honra e dignidade que merecia. Continuou em Ravenna, onde morreu e onde foi sepultado com honras.

DANTE – OS TRÊS PRELÚDIOS

I – O INFERNO

Canto I – A selva escura - As feras - Espírito de Virgílio

Nel mezzo del cammin di nostra vita
mi ritrovai per una selva oscura
ché la diritta via era smarrita.

Ahí quanto a dir qual era è cosa dura
esta selva selvaggia e aspra e forte
che nel pensier rinova la paura!

Tant’ è amara che poco è piu morte ;
ma per trattar del bem ch’i’ vi trovai,
dirò de l’ altre cose ch’i’ v’ ho scorte.

Lo non so bem ridir com’i v’ intrai,
tant’ era pien di sonno a quel punto
che la verace via abbandonai.

Ma poi ch’i’ fui al piè d’ un colle giunto,
là dove terminava quella valle
che m’ avea di paura il cor compunto.

guardai in alto, e vidi le sue spalle
vestite già de’ raggi del pianeta
che mena dritto altrui per ogne calle.

Allor fu la paura un poco queta
che nel lago del cor m’ era durata
la notte ch’i’ passai con tanta pieta.

......

II – O PURGATORIO

Canto I - Saída do inferno - Quatro estrelas
Espírito de Catão de Útica

Per correr miglior acque alza le vele
omai la navicella del mio ingengno,
che lascia dietro a sé mar sì crudele;

e canterò di quel secondo regno
dove l’ umano spirito si purga
e di salire al ciel diventa degno.

Ma qui la morta poesì resurga,
o sante Muse, poi che vostro sono ;
e qui Caliop’ è alquanto surga,

sequitando il mio canto com quel suono
di cui le Piche misere sentiro
lo colpo tal, che disperar perdono.

Dolce color d’ oriental zaffiro,
che s’ accoglieva nel sereno aspetto
del mezzo, puro infino al primo giro,

a li acchi miei ricominciò diletto,
torto ch’io usci’ fuor de l’ aura morta
che m’ avea contristati li occhi e ‘l petto.

Lo bel pianeto che d’ amar conforta
faceva tutto rider l’ oriente,
velando i Pesci ch’ erano in sua scorta.

.........

III – O PARAÍSO

Canto I – Ascenção para o Céu —
Transumanização — A ordem do Universo


La gloria di colui che tutto move
per l’ universo penetra, e risplende
in una parte più e meno altrove.

Nel ciel che più de la sua luce prende
fu’ io, e vidi cose che ridire
né sa né può chi di là sù discende ;

perché appressando sé al suo disire,
nostro intelletto si profonda tanto,
che dietro la memoria non può ire.

Veramente quanti’ io del regno santo
ne la mia mente potei far tesoro,
sará ora materia del mio canto.

O buono Appollo, a l’ ultimo lavoro
fammi del tuo valor sì fatto vaso,
come dimandi a dar l’ amato alloro.

Infino a qui l’ uno giogo di Parnaso
assai mi fu; ma or con amendue

m’ è uopo intrar ne l’ aringo rimaso.

Entra nel petto mio, e spira tue
sì come quando Marsia traesti
de la vaginade le membra sue.
.......

FINALE